Ninguém quer instalar
um app por dois dias
A resistência não é preguiça. É uma avaliação racional de custo e benefício que o organizador raramente faz do lado de lá.
A conta do participante
Do ponto de vista de quem chega ao evento, instalar um aplicativo custa: espaço no aparelho, tempo em rede congestionada, um cadastro a mais, notificações que vão sobrar depois e o trabalho de desinstalar na semana seguinte.
O benefício percebido, antes de usar, é vago, "informações do evento". Quando o custo é concreto e o benefício é abstrato, a decisão é previsível.
Onde o funil vaza
- Descoberta
- O participante nem soube que existe app; ficou no e-mail que ele não leu.
- Loja errada
- Nome genérico, busca traz três resultados parecidos, ele desiste.
- Rede do evento
- Download de dezenas de megabytes no pavilhão lotado não completa.
- Cadastro
- Criar conta com senha para ver a programação é onde muita gente fecha.
- Primeira tela
- Abriu, não achou o que queria em dez segundos, não volta.
- Depois
- Usou uma vez, apagou, e na próxima edição não instala de novo.
O que muda quando o app abre por link
Tirar a loja de aplicativos do caminho elimina de uma vez as etapas de busca, download e espaço no aparelho. O participante aponta a câmera para um QR Code no crachá e está dentro, o mesmo gesto que ele já faz para o credenciamento.
É a diferença entre pedir um compromisso e oferecer um atalho. E como o acesso é por link, cada ponto do evento vira uma porta de entrada: sinalização da sala, telão entre sessões, verso do crachá, e-mail da véspera.
O que aumenta adoção, na ordem
- QR Code impresso no crachá do participante
- Acesso sem senha, identificando o participante pelo próprio credenciamento
- Uma informação exclusiva que só está ali: sala atualizada, material, certificado
- Menção no palco, dita pelo mediador na abertura
- Peso baixo, para abrir em rede ruim
- Opção de salvar na tela inicial para quem quiser o atalho
A métrica honesta
Número de instalações não diz nada sobre o evento. O que importa é a proporção de participantes que abriram pelo menos uma vez e a quantidade de aberturas por pessoa durante os dias de evento, a segunda mostra se o app virou hábito ou foi uma visita de curiosidade.
Quando essas duas métricas são baixas, o problema quase nunca está nas funcionalidades. Está no caminho até elas.
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