Tradução em congresso:
o plano tem cinco frentes
Idioma é a decisão fácil. As outras quatro, áudio, rede, distribuição e salas, são as que fazem a tradução funcionar ou não.
Frente 1, decidir os idiomas pelo público real
A lista de idiomas costuma ser definida por intenção, não por dado. O caminho melhor é olhar a base de inscritos: país de origem, idioma declarado, histórico de edições anteriores.
Com tradução digital, o custo de acrescentar um idioma deixa de ser uma cabine a mais, o que permite atender idiomas de menor volume que antes eram descartados por inviabilidade econômica.
Frente 2, o áudio que alimenta a tradução
A tradução automática é tão boa quanto o áudio que recebe. Microfone com ruído, retorno vazando ou captação feita do ambiente degradam o reconhecimento de fala antes de qualquer tradução acontecer.
O requisito é um envio dedicado da mesa de som, tratado com o mesmo cuidado do envio da transmissão. Quando o evento tem os dois, a mesma fonte limpa serve às duas entregas.
As cinco frentes em resumo
- Idiomas
- Definidos pela base de inscritos, com margem para demanda de última hora.
- Áudio
- Envio dedicado da mesa, monitorado, com plano de troca de microfone.
- Rede
- Wi-Fi dimensionado para o público conectado, com prioridade para o tráfego de áudio.
- Distribuição
- Como o participante chega ao link: QR Code no crachá, na sala, no app.
- Salas
- Grade de sessões, quais salas têm tradução e como a operação acompanha cada uma.
Frente 3, salas paralelas mudam a operação
Uma plenária é uma operação. Cinco salas simultâneas são cinco fluxos de áudio, cinco links e uma coordenação que precisa saber, a cada momento, o que está no ar em cada sala.
Vale decidir cedo quais salas têm tradução completa e quais não têm, e comunicar isso na programação. Prometer tradução em tudo e entregar irregular gera mais reclamação que assumir a limitação.
Roteiro de preparação
- Levantar os idiomas a partir da base de inscritos, não da expectativa
- Especificar o envio de áudio dedicado com a equipe de som de cada sala
- Dimensionar a rede para o número de participantes conectados simultaneamente
- Definir os pontos de distribuição do link e imprimir o QR Code no crachá
- Comunicar na véspera que o participante deve trazer fone
- Rodar teste com o áudio real de cada sala, no horário do evento
- Definir quem monitora a qualidade durante as sessões
- Combinar o destino da transcrição: ata, legenda, conteúdo indexado
O que fazer com a transcrição depois
O congresso que planeja tradução ganha, de brinde, o registro textual completo do que foi dito em todas as salas. Isso vira ata, material de comunicação, legenda para os vídeos gravados e um acervo pesquisável.
É o item de maior valor a longo prazo e o mais esquecido no briefing, porque só existe se alguém definir antes o formato de entrega e quem recebe.
Relacionado
Seu congresso é multilíngue?
Conte o número de salas e os idiomas esperados. A gente responde com o plano de áudio, rede e distribuição.
Falar sobre um evento