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IA no evento:
comece pelo repetitivo

O melhor primeiro projeto de IA não é o mais impressionante. É aquele em que alguém hoje responde a mesma pergunta cem vezes por dia.

O critério do primeiro projeto

Projetos de IA em eventos falham por ambição, não por tecnologia. Começar por uma experiência inédita, dependente de palco e de tempo real, é escolher o cenário com mais variáveis e menos margem para erro.

O caminho seguro é o oposto: encontrar a tarefa repetitiva, de baixo risco e alto volume, que hoje consome uma pessoa. Se der errado, ninguém para; se der certo, o ganho é medível já na primeira edição.

Três aplicações que entregam no primeiro evento

Atendimento de dúvidas
As mesmas perguntas de sempre: horário, sala, estacionamento, certificado, Wi-Fi.
Resumo de conteúdo
Transcrição das sessões virando resumo, ata e material de comunicação.
Análise de fluxo
Dados de acesso revelando picos, gargalos e comportamento por perfil.

Por que essas três e não outras

As três têm a mesma característica: existe um resultado certo e verificável. A resposta sobre o horário da sessão está na programação; o resumo pode ser conferido contra a transcrição; a curva de acesso vem do próprio credenciamento.

Isso permite avaliar a qualidade sem depender de opinião. Em aplicações mais criativas, geração de conteúdo, recomendação subjetiva, o certo e o errado ficam nebulosos, e a discussão sobre se funcionou não termina.

O que a IA precisa receber para funcionar

O limite mais importante: não inventar

Em evento, uma resposta errada com aparência de certeza é pior que nenhuma resposta. Participante mandado para a sala errada perde a sessão e reclama com o organizador, não com a ferramenta.

Por isso o requisito número um de qualquer IA de atendimento em evento é a instrução de recusar quando não tem base para responder, e o caminho pronto para passar a pergunta a uma pessoa. Um assistente que responde 70% e admite os outros 30% é infinitamente melhor que um que responde 100% com 15% de erro.

Como medir se valeu

Três números bastam na primeira edição: volume de perguntas atendidas sem intervenção humana, taxa de escalonamento e as perguntas que a IA não soube responder, essa última é a mais valiosa, porque vira melhoria de conteúdo para a próxima edição.

Se o volume for alto e o escalonamento baixo, a equipe de atendimento foi liberada para o que exige gente. Esse é o resultado que justifica o projeto, e ele aparece em números, não em impressão.

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