Grupo INAC Falar sobre um evento

Quatro dias entre
o briefing e o palco

Uma convenção nacional, com público de milhares de pessoas e data fechada. O pedido de duas ativações com inteligência artificial chegou quatro dias antes do evento.

O prazo era o projeto

Quatro dias entre briefing e evento não é um cronograma apertado, é um cronograma diferente. Não cabe descoberta, protótipo, validação e ajuste em sequência: as etapas precisam acontecer em paralelo, com decisões tomadas na primeira reunião e assumidas até o fim.

A consequência prática é que quase toda escolha técnica passou a ser subordinada a uma pergunta única: isso é testável até sexta? O que não fosse, saía do escopo. É por isso que este case fala mais de recorte do que de tecnologia, a tecnologia existia; o que precisou ser construído em quatro dias foi o caminho até ela.

Ativação 1, cabine de foto com IA generativa

O participante escolhia um card na tela, posava para a foto ao lado do mascote do evento e recebia a imagem tratada em estilo de animação 3D. A captura de lead acontecia no mesmo fluxo: a foto era a razão de parar no ponto, e o cadastro vinha junto com a entrega.

O ponto crítico não foi gerar a imagem, foi o tempo entre o clique e a entrega. Acima de um minuto, a fila para de andar e a ativação vira gargalo em vez de atração. Todo o dimensionamento partiu daí: resolução de saída, capacidade de processamento e forma de entrega foram escolhidas para caber nesse limite.

Ativação 2, o mascote que chamava pelo nome

A segunda ativação era conversacional. O participante falava o próprio nome, e o mascote respondia em voz e em texto, citando o nome e a cidade de origem, e encerrando com um agradecimento.

Reconhecer nome próprio falado é o problema mais difícil desse tipo de sistema. Nome não tem contexto que ajude o reconhecimento, diferente de uma frase, onde as palavras vizinhas corrigem o palpite. Em evento, há ruído de fundo, sotaque de todas as regiões e gente falando ao mesmo tempo. Foi onde concentramos o teste.

O resultado

Mais de 100 pessoas passaram pelas ativações durante o evento, número relevante para um projeto que existia havia quatro dias e que, até a véspera, ainda estava sendo testado com vozes reais.

As duas operaram do início ao fim da convenção, sem interrupção que exigisse parar o ponto.

O que sustentou a entrega

Escopo travado
O que não fosse testável dentro dos quatro dias não entrou. Nenhuma funcionalidade foi adicionada depois do dia 23.
Ciclo antes do efeito
Tempo entre interação e entrega definido primeiro; qualidade de imagem ajustada dentro desse limite, não o contrário.
Teste com voz real
Reconhecimento de nome testado com falantes diferentes e ruído, não em ambiente silencioso de escritório.
Modo degradado
Cada estação preparada para continuar operando se o processamento remoto ficasse lento.
Equipe no local
Quem construiu estava no evento. Em prazo curto, não há tempo de repassar operação para terceiros.

O que esse prazo ensina para qualquer ativação

A lição não é que quatro dias bastam, é que o que consome tempo em ativação raramente é o desenvolvimento. É a indefinição de escopo, o retrabalho de mudança tardia e a descoberta, na véspera, de que a rede do local não sustenta o que foi prometido.

Com escopo travado no primeiro dia e um limite de ciclo definido antes da estética, o desenvolvimento vira a parte previsível do projeto. Foi o que permitiu chegar ao palco com as duas ativações funcionando.

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